Moradores de uma ocupação na Vila Lorenzi, em Santa Maria, tiveram a energia elétrica cortada na manhã desta quarta-feira. O corte afetou cerca de 120 das 350 famílias que residem no local. A supressão foi executada por funcionários da concessionária AES Sul e ocorreu em função de as ligações serem clandestinas (gatos).
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De acordo com o presidente da Associação do Alto da Lorenzi, Luiz Renato Campos, a área em que as famílias residem é privada e a falta de redes elétricas legalizadas se arrasta há 12 anos. Há cerca de dois, os moradores conseguiram renegociar a compra dos terrenos, mas os proprietários não teriam se comprometido em oferecer infraestrutura (água, luz, esgoto e pavimentação) para o loteamento.
Assim, muitas pessoas que residem no local optaram por puxar as ligações diretamente dos postes de iluminação pública, não instalando contador nem pagando a conta de energia elétrica.
O corte ocorreu depois que a AES Sul foi acionada por moradores da Rua Adelmo Genro. Um curto-circuito em poste que sustenta o transformador deixou aqueles que estão legalizados sem luz.
O morador que reclamou tem toda a razão em fazer isso. Por outro lado, há cerca de 120 famílias que estão sem luz e fica complicado, porque existem pessoas doentes ali, que precisam de energia para seus tratamentos afirma Campos.
De acordo com o líder comunitário, a situação já é comum. Quando há cortes, os moradores acionam uma empresa particular para religar o serviço. Ontem, conforme Campos, eles entraram em contato com uma empresa de Camobi, que cobrou cerca de R$ 1,5 mil para religar a luz, ainda que de forma irregular. O custo da operação teria que ser dividido entre os moradores.
Campos relata que para regularizar o serviço de energia, seria preciso que um engenheiro especializado fizesse um projeto de loteamento para área.
Já estamos tentando regularizar há dois anos, mas é muito burocrático, além de ser caro. Nós já temos uma rede no padrão da AES Sul, mas não temos o contador. Até legalizar, vai continuar tendo gato. Por isso, precisamos nos unir e o pessoal se conscientizar de que é preciso regularizar _ afirma o presidente.
A AES Sul informou que fez o desligamento de energia na área ocupada, em função dos riscos (incêndios e choques elétricos, por exemplo) que as ligações representam para comunidade. Ainda de acordo com o órgão, em áreas que não são regularizadas pelo poder público, a concessionária não pode construir redes elétricas para regularizar o fornecimento e têm obrigação de cortar as ligações clandestinas, já que acarretam em furto de energia, cujos prejuízos acabam sendo cobrados na tarifa dos demais clientes.
Ainda de acordo com a concessionária, o órgão tem acompanhando o andamento dos processos de regularização da Vila Lorenzi e que, assim que for encontrada uma solução para a área e a regularização do solo, haverá o fornecimento de energia.
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